quinta-feira, janeiro 24, 2008

Os intocáveis

Restauro, remodelação, reabilitação, fachadismo, interiorismo....
Incompetência, Incapacidade, Medo ou Valor real?

Hoje apetece-me falar mal dos arquitectos porque dos outros todos que querem fazer arquitectura tenho medo porque são muitos.

Vou falar mal dos arquitectos mas só de alguns e se calhar até de mim.
Quando nos deparamos com a casca de um edifício, quatro meias paredes em alvenaria de pedra, há a tendência por parte do cliente e da "comunidade" que o acompanha, de valorizar o "Solar" de uma forma exagerada. Até aqui tudo bem, a pedra está cara e a mão de obra cada vez pior, mas daí até sujeitarmos o projecto a um sacrifício tal, só para não alterar a "traça rústica" do imóvel...

O edificado existente, a menos que esteja classificado, tem apenas o valor que nós lhe reconhecermos e só deve ser mantido total ou parcialmente se não puser em causa a totalidade do projecto.
Sim, também sei que por vezes há regulamentos impeditivos da sua alteração nem que seja no que diz respeito às fachadas... mas isto é um tratado de incapacidade e incompetência passado aos arquitectos de hoje. Mas o que me faz confusão, é quando esse tratado é passado por nós próprios.

Há que criticar menos quem não tem medo de trabalhar (ainda que possa cometer outros erros) e criticar mais quem se esconde atrás de um projecto que não é seu, disfuncional e fora de tempo.

Aldeia de Piodãoeste deu na SIC, confere.

sexta-feira, março 16, 2007

Da teoria à prática...




Diria provavelmente o autor desta obra, «o que faço hoje, pode não ser o que faço amanhã»… De facto, tal ginástica formal é temporal e espacial no contexto da reflexão arquitectónica, mas não é sempre assim? O objectivo é coar o passado numa lógica bipolar entre colagens-tipo-matisse e o auge do barroco… Resultado, um conjunto paranóico, atrofiado por uma envolvente de subúrbio sem identidade, sem lugar, sem história, sem cultura passível de ser cruzada. Não há rebento possível a não ser que seja produto do humor racional...

quinta-feira, junho 08, 2006

o esplêndido caso dos homens iluminex.




“Cuidado com o homem iluminado” disse uma vez um professor numa aula de antropologia.

É preciso cuidado, muito cuidado com o homem iluminado. Quando são vários temos que ter muitíssimo cuidado e como homem prevenido vale por dois tive que me prevenir para ter valência dupla.

Quem não arrisca não petisca não é?

Chego do meu estágio não remunerado de arquitectura para almoçar, sento-me á mesa, como a minha sopinha, uma pratada de esparguete e ataco o JN como rotineiramente faço todos os dias, diz-me a minha mãe, o teu pai leu no jornal que encontraram uma centopeia de 735 patas! Fui logo em busca dessa noticia candidata á mais empolgante do dia e talvez do mês quem sabe do ano!

Em vez disso, ao passar a vistoria diagonalizada vejo uma foto da excelentíssima faculdade de arquitectura do porto e como é natural começo a ler o texto em anexo dum tal senhor malcolm millaias (nome sonante! Como um herói de filme de acção).

O texto, que se encontra postado aqui em cima sempre em frente, queixava-se do pedrismo do arquitecto Siza e fazia referência a outro texto de outro homem iluminado do dia 1 de Junho também postado aqui e por isso não vou falar mais destes, pois encontram-se á mercê da ânsia de saber do querido leitor.

A questão são os ataques ao arquitecto Siza, ataques débeis e estultos! Do tipo ai que já não há flores nos aliados! e ai que a calçada portuguesa era tão linda! e ai que o prédio da Boavista é tão alto e parece uma gaita! e ai que as piscinas de Leça parecem um campo de concentração (pena o sr.millais n ter ficado lá uns minutos a concentrar-se antes de escrever tinhosices destas!) e ai que a casa não tem janelas e é tudo tão triste!

o homem iluminado está triste! E projecta a sua tristeza no que vê e curiosamente olha para a arquitectura do arquitecto Siza e até reconhece várias obras do distintíssimo mestre português, estimadíssimo no panorama cultural e arquitectónico português respeitado em todo mundo e galardoado com os mais prestigiados prémios mundiais de arquitectura entre os quais o prémio pritzker (não, não vou dizer q é o prémio nobel da arquitectura! .

O arquitecto Siza é um dos homens com mais valor que este país tem, é um homem reconhecido internacionalmente, alvo dos críticos mais rigorosos de arquitectura e é no próprio país que é espezinhado por pessoas cuja cultura arquitectónica não vai para além de ler as plantas esquemáticas no shopping ao fim de semana!

Portugal nação valente e imortal, nação futeboleira nação do esférico do verde fresquinho da relva, de homens valerosos que da lei da morte se vão livrando, de figos, ronaldos de castelos-brancos, de viva a pita, de irmã Lúcia e de Fátima, de passeios á beira-mar ao domingo e as já referidas visitas ao shopping ao sábado, do ritual das compras na grande superfície, dos velhos do Restelo , dos reaccionários , dos saudosos do fascismo ... esta nação não é de fulanos como António Saramago ou Agostinho da Silva ou Manoel de Oliveira,esses são difíceis! São pessoas bizarras n se enquadram neste rectangular e erodido (não confundir com erudito!) cu d’europa!

Caro sr.millais nós vemos as coisas com os nossos olhos! Talvez não seja a arquitectura do arquitecto Siza que seja deprimente e triste talvez seja você que deveria levar esses adjectivos para casa, talvez você esteja a precisar de alegria na sua vida, de não ver as coisas com esses olhos cinzentos, não espere que todos vejamos da mesma maneira, uns valorizam a obra outros desvalorizam. Torno a referir que a arquitecura do arquitecto Siza é tida como das mais inspiradoras, éticas, originais e verdadeiras do globo!

Eu gosto muito do que o Siza faz, umas vezes mais outras vezes menos, é certo, mas é digno dum volumoso pedaço do meu respeito e do meu orgulho enquanto patrício e enquanto colega (será que sou!?) de profissão.

domingo, maio 21, 2006

american dream!for sure, man!




Confesso não ser o neto modelo, aquele que outrora fui, aquele de quem a fotografia que a minha avó tem exposta na sala homenageia e que retrata um puto vestido de marinheiro (tipo pato donald), confesso que não visito a minha única entidade avoenga que me resta neste mundo com a frequência com que devia, com a frequência que honraria a exposição da tal foto marinheira! Todavia na minha ultima incursão pelo Olival, terra de onde a minha avózinha é natural e onde mora até hoje deparei não com um cenário novo, mas um cenário que eu tinha esquecido! Um caso alarmante de casa de emigrante (notem a prosa rimática!),mas não a casa de emigra nossa conhecida!, vindas da Suiça, Luxemburgo, Alemanha, ou de França mas um caso particular, o 'american file', como o apelidei. É uma situação de bizarria sem precedentes que não deve nada a um happy ending.

( vou romantizar a história toda):

Um destemido homem português descontente com a sua sorte no seu país natural vai para os Estados Unidos, tem como bagagem o quase nada que era sua pertença na sua mátria.

É este homem que do barco avista a cidade de Nova Iorque e a estátua da liberdade e pensa para si, vou por os pés naquela terra e vou vingar na vida, sairei desta terra de sonhos rumo ao Olival com riquezas e prestigio!

Não será preciso ser um oráculo cassandrino para adivinhar o árduo da vida que este homem levou nesta cidade, a cidade que nunca dorme, e a cidade que nunca perdoa aos fracos que os pisa como se fossem insectos.

O homem português lutou, perdeu alguns combates com a vida ganhou outros, subsistiu, foi capaz de arranjar emprego e subir na vida, conheceu uma conterrânea que trabalhava como waitress num starbucks. As afinidades entre os dois eram muito fortes o inevitável romance sucedeu, casaram, tiveram filhos viviam bem, de uma forma humilde, juraram que haviam de voltar a Portugal onde construiriam o seu bocadinho de united states em terrenos do Olival.

Assim foi, passados 30 anos o primeiro tijolo foi cuidadosamente colocado na obra que iria abalar a arquitectura de “cubos brancos com buracos”, um paradigma na arquitectura Olivalense.

Não hajam ilusões, o homem português, a sua wife and kids não são pessoas de grandes posses, planearam fazer a sua american greek revival house aos poucos, o terreno é herança dos pais do homem e fica situado perto da capela onde a minha já esquecida avózinha vai ouvir as cantilenas sempre iguais do culto ao nosso senhor.

É um terreno sobranceiro á rua principal de Olival que passa inclusive no Souto e na Sede cultural, é um terreno sem grande história, um rectângulo simples, de morfologia plana e terra negra boa para o cultivo da nostálgica horta portuguesa.

A monumental construção implanta-se no meio do terreno e mais perto da rua do que do fundo do quintal. A casa não se encontra completamente acabada como se comprova pelas imagens) falta de bucks para terminar em beleza.

A imagem que deixa passar é de que a glória que tem está muito longe da glória que terá uma vez pintada de branco para respeitar o standard do tipo de casa greek revival do século 19 (ou então criativamente- sabe-se lá de que cor!).

Passemos á caracterização do objecto arquitectónico em questão:

filiado com os parâmetros de composição dos gregos da antiguidade a casa tem um alçado fachadal simétrico com um jogo de colunas dóricas que suportam um frontão triangular prodigiosamente subentendido!, com um toque de genialidade apenas a vegetação é assimétrica ( complexidade e contradição! my friends). Tem um jogo de aberturas muito interessante, cada qual com a sua caixilharia branca com feitios na parte superior como podemos reparar nas fotos, não se poderá deixar de reparar na portentosa porta de recepção opaca e alva que nos remonta para um daqueles filmes americanos em que o sargento-motorista vai levar o general á casa de campo onde o espera a belissima filha encostada á porta a fantasiar..! De fazer notar é que os alçados norte e sul (laterais) não são correspondentes existindo uma engenhosa composição de aberturas diferente em cada um deles.

Esta luso-american home não nos deixa de surpreender, vai buscar origens remotas á Grécia dos clássicos, vai buscar influências mais recentes na arquitectura americana do greek revival, e faz uma passagem deveras ousada ao modernismo no uso da cobertura plana. Robert Venturi mais uma vez tiraria o chapéu ao invento de quem desenhou esta pérola num país de porcos (permitam-me esta mini explosão emocional).

o modernismo queria negar o passado da arquitectura e começar de novo, o seu intento foi sabotado pelos seus maiores mestres que conseguiram os maiores feitos desse período contando sempre com referencias do passado! O desenhador desta casa percebeu que negar o passado não é o caminho certo e que o eclectismo é o melhor caminho. Estamos perante o pós-modernismo! que como o próprio nome indica veio depois do modernismo e ao contrario deste vai buscar outra vez e abertamente as referencias históricas e de afiliação das pessoas para com a arquitectura.

home sweet home and praise the lord! diria o homem português ao sair do avião no aeroporto Francisco Sá Carneiro!(por falar nisso não acham absurdo um aeroporto com nome de um tipo que morreu de desastre de aviação?)

Post scriptum- ouvi dizer q o autor desta maravilha arquitectónica foi nomeado para o parapritzker ( para quem não conhecia é o pritzker paralímpico).

sábado, março 25, 2006

Do neoclássico até ao tropicalismo da salsa








Meus senhores, após algumas semanas de pausa vejo-me obrigado a tomar medidas drásticas e a colocar imagens que tinha guardadas para situações de emergência. Perdoem-me os mais sensíveis, mas a dureza das imagens vai com certeza fortalecer a vossa personalidade e educar os vossos olhos para as formas da criação humana.
Encarem este momento como um ponto de extrema importância nas vossas Carreiras da mesma forma que os LEGOS vos marcaram.
Mas deixando de parte esta análise superficial passo a deixar uma provocação sobre a qual espero que se pronunciem:
"A campanha arquitectónica de ampliação do palácio e das cavalariças ocorreu entre 1801 e 1802, alterando a fachada principal que passou a ser a que se abre para o pátio, e construindo uma outra fachada cenográfica do lado oposto. A unir os dois alçados, o arco de triunfo celebra a visita de D. João e D. Carlota Joaquina. Neste conjunto de edifícios de linhas rectas, observamos várias influências, com o classicismo neopalladiano, ou a decoração de grinaldas, nas platibandas, estilo Luís XVI. No arco, também neoclássico, e concebido por Francisco Leal Garcia, destacam-se as lanças, bandeiras e armas que enquadram os bustos dos monarcas. Trata-se de um conjunto que revela alguma ingenuidade, e onde se "põe o problema da cultura (ou da ignorância) com que o Neoclassicismo podia ser entendido em Portugal, na charneira dos dois séculos."

E mais não vale a pena eu dizer!

quarta-feira, janeiro 25, 2006

questiono-me?




mais uma vez no caminhar paulatino do meu dia fui flashado por uma peça arquitectónica.q raio era aquilo, pensei.

á primeira vista, pareceu-me mais um caso escandaloso, obsceno,ignóbil. dei a volta ao quarteirão, estacionei na rua paralela, tirei a maquina da bolsa e caminhei para ela sem saber bem o q m esperava depois daquele borrão verde e amarelo que s pendurou no canto do meu olhar e q caiu logo a seguir!

qd desdobrei a esquina da rua onde s situa o objecto em questão, vi-o em contra-luz o q n auxiliou o meu descernimento, mesmo assim deu para esquiçar um riso =D. achei logo que mais um coito falhado do plano arquitectónico português.

tirei foto, aproximei-me, a casa além d m parecer uma coisa de outro mundo n m estava afinal a chocar, n encontrei nada q a reprovasse. a analise é sempre muito limitada pois o mirone apenas anda por fora e apenas posso analisar a forma e materiais exteriores.

o verde é consegui
do através da oxidação do cobre (ou bronze? , n m lembro nem m apetece ir verificar), o amarelo vem da pintura da empena, é uma mistura perigosa sem duvida, mas será q esta casa é má, é apalhaçada? não será apenas arrojada e diferente do traço alvacento do nosso preconceito? (respondam com o coração)

eu questiono-me, o alçado da rua é dinâmico, existe um jogo d janelas interessante, existe uma reminiscencia a adolf loos no boleado e material da cobertura, existem materiais decentes como a madeira e o granito, existe qualidade deveras.

n consigo dizer q é mau este aparente bicho do mato, é não habitual, é colorido,tem uma forma nada convencional.

mas será boa arquitectura?

segunda-feira, janeiro 09, 2006

a grandessíssima casa dos arcos.





apresento aqui mais uma valerosa aquisição arquitectónica por parte do plantel urbanistico português: a casa dos arcos.

perguntarão a origem d tão bizarra denominação ( de onde provirá tal nomenclatura? ) , pois bem, fui eu q resolvi alcunha-la assim! as minhas razões não são fortuitas nem mesmo gratuitas, depois d pensar muito (0.002 seg ou menos) cheguei á conclusão q era coerente chamar-lhe assim, já q 70% do visivel da casa são arcos de volta perfeita, fazendo um genial paralelismo com a composição aquosa do corpo humano por parte do auteur.

palladio, schinkel, speer, rossi, boffil e zaha hadid, numa linha d pensamento clássico-histórica da arquitectura regozijariam ao ver este exemplo do melhor q se faz em cima do joelho com um porta-minas de engenheiro em portugal.

a casa está implantada á beira-ria em ovar num amplo terreno relvado com flora rareada, não fosse tapar os canhões virados para o observador ( sim o jardim possui vários canhões, qual fortaleza mansiónica da serie norte-sul em q particuipava o patrick swayze e a gaja do cheers).


numa orgia genializástica de cerebro o auteur dotou a faraónica mansão de um ar português (q certamente levaria o polegar aprovativo de raulino ( q entretanto deu uma volta no casco podre d pinho português com tapetes de arroilos)) nos azulejos a contar belas histórias de tempos idos (acho eu, pq d fora n dá pa ver bem!).


confesso q parti deste local com lágrimas nos olhos, nostálgico nos primeiros 300 metros de viagem para casa e saudoso no restante caminho. guardo junto ao coração a lembrança e algumas fotos tb (para tirar ideias).
parto mais uma vez em busca do inominável, da arquitectura perfeita do sonho americano e duns livros d banda desenhada q vi na fnac.

ta-ta clarissse.


p.s. a segunda vez q lerem isto metem a operture 1812 do tchaikovksy (pq pa quem n sabe inclui tiros de canhão) =P.